terça-feira, 16 de maio de 2006

…do nada para o talvez….

Entrou à pressa na carruagem já cheia, …. Cheia de olhos, bocas, mãos, dentes…, empurrou-me com a violência de quem teme ser violentado pelas portas…mas que não teme magoar…. Pareceu-me corpo vazio, os olhos apenas vibrantes da corrida, aquela de todos os dias…. [horas, minutos, segundos] …. A corrida do nada para o talvez….

Reparou que o fitava e encarou-me de frente, pele suada, reluzente, cansada. Olhei-o nos olhos, não teria mais de 19 anos, no ombro a mochila que me atacou, aquela que transporta mundos, leva almoço e traz mais um dia no bolso de dentro… na lateral esquerda da cara, uma faca teria passeado a sua lamina por ali, há não mais de 6 meses, a marca ainda gritava dor…os seus olhos também… [ ] …

No meio dos olhos, bocas, mãos, dentes….já cheios de comboio, sorri-lhe só para saber o tamanho da cicatriz…. Calmamente, e já com mais um dia no bolso, sorriu-me de volta…. estava ferido, não morto……. No meio dos olhos, bocas, mãos, dentes,... era o único….

2 comentários:

kolm disse...

O mouro adora kukas e kukos... ele não é esquisito (risos)...

mariadarosa disse...

é mesmo ... do nada para o talvez.