quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

A estrela adormecida

Entrei na estação de metro sem intenção de encontrar uma história, as vezes acho que existem algumas que vivem lá à espera de serem encontradas, por alguém com a cabeça no ar.....

Olhei e num canto lá estava a história que me escolheu a mim.
Sentada num banco com a cabeça encostada à janela, dormia porfundamente, longe de todas as vozes desconhecidas que a rodeavam e observavam.

Cabeça para a frente, cabeça para trás, e o seu sono continuava inabalável.
Mas até então, eu ainda não tinha encontrado o fio à meada, não entendia a história. Até que olhei para lá dos olhos e percebi. No fim das suas pernas estava a solução, o bordado da meia, tinha uma palavra mágica....Star .....

Quando o metro parou, todas as vozes sairam apressadamente, levantei-me e caminhei na sua direcção, mas no último momento antes, do contacto fisico que a ia despertar do sono, ela abriu os olhos sorriu, e disse:

-....e ainda tenho de ir trabalhar...

Sorri de volta e abandonamos a carruagem em silêncio....

Voltei a olhar para trás, tinha desparecido. Quando sai da estação olhei para o céu e lá no alto estava a lua ainda solitária, ela ainda não tinha chegado......

10 comentários:

Isolamentos disse...

...em cada carruagem há uma cabeça. em cada cabeça há uma estória. em cada estória há uma meia. em cada meia uma estrela...

eu eu que nem sabia que as estrelas adormeciam...!

rspiff disse...

Eu já desisti de arranjar histórias no metro, mas não por falta delas...é o contrário, são demasiadas...basta olhar para o lado...

Luís disse...

Acho que perco muito por n poder andar de metro aqui!Perco imensas histórias pelos vistos.Que me lembre a minha melhor foi no metro em londres onde vi um senhor todo engravatado a tratar dos dentes com fio dental ali à frente de todos...e mesmo essa parece nojenta demais pa poder ser uma história de blogue!

A tua é querida e bem tirada.Gostei muito

nuno albuquerque vaz disse...

tenho saudades do metro e das historias que correm ao sabor das carruagens...
bonita a tua historia...
beijo

Palavra disse...

As histórias multiplicam-se por todo o lado, não só no metro. Pelo simples facto de nos cruzarmos com alguém, já fazemos parte da história desse alguém, mesmo que para ele sejamos apenas mais um vulto que deambula pela cidade, apressadamente ou no maior dos repousos. Entender essa história é escrever um argumento sem fim.

kuka disse...

gosto muito da tua sensibilidade, sentido de observação,e sobretudo da capacidade de transpor para o "papel"a experiencia vivida.Muito obrigado.

miak disse...

Por vezes lemos algo que nos parece familiar. Que podia ter sido imaginado por nós. Sabe bem, o reconhecer...

palavrinhas disse...

Será que têm vida os transeuntes que deambulam no metro? Ou permanecem apenas, ali, no instante de olhar pelo vidro da janela à espera de luz, um pouco de luz? E uma... PRÒXIMA ESTAÇÃO!!!

kolm disse...

Ontem (quinta-feira) quando olhei também reparei que ainda não tinha chegado...

Abelhinha disse...

Tão simplesmemte bonito :)